Lago Cuniã
Visão do Paraíso
Reportagem: Francisco José
Um pedaço quase intocado da Amazônia. Um lago cercado pela floresta, com
milhares de pássaros, botos cor-de-rosa, jacarés. No local, o pirarucu – peixe
típico da região – é protegido por lei federal e só pode ser pescado com arpões
pelos poucos moradores. Esse paraíso é o Lago do Cuniã, uma reserva
extrativista criada há 12 anos, onde a pesca é controlada pelo Instituto Chico
Mendes. Visitas só podem ser feitas com autorização especial. ![]() |
| Casas típicas dos ribeiinhos |
Deixamos o Rio Madeira e entramos no igarapé. Passamos a depender ainda mais da experiência do piloto Francisco Teixeira, o Teixeirinha. O nível das águas está baixando. Os troncos e galhos das árvores caídas são verdadeiras armadilhas.
Com habilidade, Teixeirinha conduz a lancha voadeira, desviando dos obstáculos que surgem a cada curva do igarapé. Quanto mais nos aproximamos do lago, mais aumenta a quantidade de animais.
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| Flora - Região do lago do Cuniã |
Uma revoada de biguás. Aves caçadoras, mergulham no Lago do Cuniã. São os maiores concorrentes dos pescadores que vivem na região. Andam aos bandos. Milhares se deslocam de um lado par o outro do lago.
Os botos cor-de-rosa seguem nossa lancha. Parece até que eles querem brincar. E são seguidos de perto pela câmera de José Henrique.
A luz do entardecer faz o lugar ficar ainda mais bonito.
Pescadores solitários, em pequenos botes, tentam pescar o pirarucu. Graças ao controle feito pelo Instituto Chico Mendes, o número desses peixes tem aumentado no Lago do Cuniã.
Finalmente chegamos. Visto da margem, no fim da tarde, o lago parece uma pintura. À noite, saímos para um passeio de lancha. O lago tem exatamente 83 espécies de peixes. São tantos que chegam a pular dentro do barco.
Os jacarés estão por toda a parte, com os olhos brilhando. Com a luz das nossas lanternas, eles ficam paralisados.
Cerca de 400 pessoas vivem na região do Lago do Cuniã. A energia elétrica é garantida por um gerador, mas às 22h ele pára de funcionar.
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| Peixe-boi |
Às vezes o pescador leva mais de duas semanas para conseguir fisgar um pirarucu. No dia seguinte, lá estava Deco, concentrado, no seu exercício de paciência. Ele observa o local onde o peixe aparece para respirar e depois tenta calcular onde o pirarucu vai surgir de novo na superfície. Mas, sem perceber, o pescador também está sendo observado por um jacaré.
Mais uma vez Deco acompanha os movimentos do pirarucu e joga a lança. Agora sim, o peixe foi arpoado. "Depois de muita batalha, consegui", comemora o pescador, com um peixe de quase 30 quilos. "O maior que já peguei pesava 88 quilos", lembra.
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| Ribeirinho - Lago Cuniã |
"Aqui um peixe desse dá para até duas semanas. Se colocássemos uma rede no poço, com certeza pegaríamos mais de dez peixes desses. Da maneira como pescamos, ele vai existir por toda a vida, se Deus quiser. Vemos que a cada ano aumenta mais", comemora Deco.
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| Boto - Rio Madeira |
Fonte: Globo Reporter







